Sabe aquelas situações que te tiram do sério e tu perguntas: como pode ? Aqui estão algumas delas, reais ou não. Protagonizadas por mim, por você, enfim, quem não pisa na bola às vezes ? Mas cheias de criatividade e todas com aquele gosto de limão azedo e um pouquinho de humor, quando possível.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Otimizando a corrida
"Tarde de sexta-feira, entro num táxi para me levar à oficina onde havia deixado meu carro para a revisão. Estávamos descendo a Rua Salvador França quando uma moça na calçada fez sinal – obviamente não viu que o táxi já estava ocupado. Mas o motorista parou mesmo assim, enquanto me comunicava: “Vou descobrir para onde ela vai, de repente é perto e levo as duas juntas”. Eu respondi: “Sinto muito, mas vamos em frente”.
O fominha pretendia recolher todos os passageiros que encontrasse e foi negociar justo comigo, que nunca fui fã de jeitinhos.
A explicação dele para sua atitude: “Dona, na Europa todos os taxistas fazem isso. Nós somos muito atrasados. Eles são mais inteligentes que nós, por isso são de Primeiro Mundo”.
Meu caro Anselmo, Renato, Valdir ou seja qual for o seu nome: eles não são mais inteligentes que nós – eles são mais organizados que nós, mais corretos que nós, mais respeitadores que nós. Existem vários tipos de transporte coletivo: lotações, ônibus, bondes, metrô. O táxi não é coletivo. Pode conduzir mais de uma pessoa, mas faz viagens individuais. É assim que os táxis funcionam no mundo todo: por corrida. Em tese, você está certo, seria um favor ao trânsito caótico das cidades se os carros transportassem mais gente, e isso até pode acontecer de forma consensual: duas pessoas aguardam no ponto, começam a conversar e descobrem que estão indo para a mesma rua. Podem decidir compartilhar o táxi, é uma atitude civilizada. O que não pode é isso ser decisão do motorista. Há regras que regulamentam cada atividade, e um passageiro que pega um táxi sozinho tem o direito de seguir sozinho até seu ponto de desembarque, sem ser coagido a rachar tarifas e negociar trajetos com uma pessoa estranha recolhida no meio do caminho.
Claro que cheguei em casa me sentindo a malvada da novela. Vá que a moça na calçada estivesse, numa coincidência pouco provável, indo para a mesma rua que eu, que economia faríamos. E eu poderia ter feito uma nova amiga. E o motorista de táxi teria feito uma boa ação para a cidade. E todos dormiríamos felizes.
O motorista estava com sua corrida garantida, mas quis emendar com outra: eu sairia do carro, a moça continuaria a viagem, aí ele poderia recolher outro passageiro, ela sairia no ponto desejado e esse outro passageiro seguiria adiante, e assim o motorista manteria seu táxi constantemente ocupado, num rodízio que otimizaria 100% do seu turno de trabalho. Se essa ideia for boa mesmo, que seja autorizada por lei, implantada e divulgada pelos meios de comunicação, com segurança garantida aos usuários. A partir de então, todos poderiam acenar para táxis ocupados, a fim de saber se o trajeto que está sendo feito é o mesmo que eles pretendem fazer. Todo táxi viraria um táxi-lotação. Prevejo uma bagunça, mas, oficializando, me adapto.
Enquanto isso, sigo malvada."
Martha Medeiros
Zero Hora 05/12/2012
O fominha pretendia recolher todos os passageiros que encontrasse e foi negociar justo comigo, que nunca fui fã de jeitinhos.
A explicação dele para sua atitude: “Dona, na Europa todos os taxistas fazem isso. Nós somos muito atrasados. Eles são mais inteligentes que nós, por isso são de Primeiro Mundo”.
Meu caro Anselmo, Renato, Valdir ou seja qual for o seu nome: eles não são mais inteligentes que nós – eles são mais organizados que nós, mais corretos que nós, mais respeitadores que nós. Existem vários tipos de transporte coletivo: lotações, ônibus, bondes, metrô. O táxi não é coletivo. Pode conduzir mais de uma pessoa, mas faz viagens individuais. É assim que os táxis funcionam no mundo todo: por corrida. Em tese, você está certo, seria um favor ao trânsito caótico das cidades se os carros transportassem mais gente, e isso até pode acontecer de forma consensual: duas pessoas aguardam no ponto, começam a conversar e descobrem que estão indo para a mesma rua. Podem decidir compartilhar o táxi, é uma atitude civilizada. O que não pode é isso ser decisão do motorista. Há regras que regulamentam cada atividade, e um passageiro que pega um táxi sozinho tem o direito de seguir sozinho até seu ponto de desembarque, sem ser coagido a rachar tarifas e negociar trajetos com uma pessoa estranha recolhida no meio do caminho.
Claro que cheguei em casa me sentindo a malvada da novela. Vá que a moça na calçada estivesse, numa coincidência pouco provável, indo para a mesma rua que eu, que economia faríamos. E eu poderia ter feito uma nova amiga. E o motorista de táxi teria feito uma boa ação para a cidade. E todos dormiríamos felizes.
O motorista estava com sua corrida garantida, mas quis emendar com outra: eu sairia do carro, a moça continuaria a viagem, aí ele poderia recolher outro passageiro, ela sairia no ponto desejado e esse outro passageiro seguiria adiante, e assim o motorista manteria seu táxi constantemente ocupado, num rodízio que otimizaria 100% do seu turno de trabalho. Se essa ideia for boa mesmo, que seja autorizada por lei, implantada e divulgada pelos meios de comunicação, com segurança garantida aos usuários. A partir de então, todos poderiam acenar para táxis ocupados, a fim de saber se o trajeto que está sendo feito é o mesmo que eles pretendem fazer. Todo táxi viraria um táxi-lotação. Prevejo uma bagunça, mas, oficializando, me adapto.
Enquanto isso, sigo malvada."
Martha Medeiros
Zero Hora 05/12/2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Mudanças em 40 anos
Cenário 1:
Luís, de sacanagem quebra o farol de um carro, no seu bairro:
Ano 1971: Seu pai tira a cinta e lhe aplica umas sonoras bordoadas no traseiro. A Luís nem lhe passa pela cabeça fazer outra nova "cagada", cresce normalmente, vai à universidade e se transforma num profissional de sucesso.
Ano 2011: Prendem o pai de Luís por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e, por 15 anos deve abster-se de ver seu filho. Sem o guia de uma figura paterna, Luís se volta para as drogas, transforma-se num delinquente e fica preso num presídio especial para adolescentes.
Cenário 2:
José cai enquanto corria no pátio do colégio, machuca o joelho. Sua professora Maria, o encontra chorando e o abraça para confortá-lo...
Ano 1971: Rapidamente, José se sente melhor e continua brincando.
Ano 2011: A professora Maria é acusada de não cuidar das crianças. José passa cinco anos em terapia pelo susto e seus pais processam o colégio por danos psicológicos e a professora por negligência, ganhando os dois juízos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida...
Cenário 3:
Disciplina escolar:
Ano 1971: Fazíamos bagunça na classe... O professor nos dava uma boa "mijada" e/ou nos encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade e no resto da semana não incomodávamos mais ninguém.
Ano 2011: Fazemos bagunça na classe. O professor nos pede desculpas por repreender-nos e fica com a culpa por fazê-lo. Nosso velho vai até o colégio dar queixa do professor e para consolá-lo compra uma moto para o filhinho.
Cenário 4:
Horário de Verão:
Ano 1971: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. Nada acontece.
Ano 2011: Chega o dia de mudança de horário de inverno para horário de verão. A gente sofre transtornos de sono, depressão, falta de apetite, nas mulheres aparece até celulite.
Cenário 5:
Fim das férias:
Ano 1971: Depois de passar férias com toda a família enfiados num Gordini ou Fusca, é hora de voltar, após 15 dias de sol na praia. No dia seguinte se trabalha e tudo bem.
Ano 2011: Depois de voltar de Cancun, numa viagem'all inclusive', terminam as férias e a gente sofre da síndrome do abandono, "panic attack", seborreia, e ainda precisa de mais 15 dias de readaptação...
Cenário 6:
Saúde:
Ano 1971: Quando ficávamos doentes, íamos ao INPS aguardávamos 2 horas para sermos atendidos, não pagávamos nada, tomávamos os remédios e melhorávamos.
Ano 2011: Pagamos uma fortuna por plano de saúde. Quando fazemos uma distensão muscular, conseguimos uma consulta VIP para daqui a 3 meses, o médico ortopedista vê uma pintinha no nosso nariz, acha que é câncer, nos indica um amigo dermatologista que pede uma biópsia, e nos indica um amigo oftalmologista porque acha que temos uma deficiência visual. Fazemos quimioterapia, usamos óculos e depois de dois anos e mais 15 consultas, melhoramos da distensão muscular.
Cenário 7:
Trabalho:
Ano 1971: O funcionário que era ?pego? fazendo ?cera? (fazendo nada). Tomava uma regada do chefe, ficava com vergonha e ia trabalhar.
Ano 2011: O funcionário pego "desestressando" é abordado gentilmente pelo chefe que pergunta se ele está passando bem. O funcionário acusa-o de bullying e assédio moral, processa a empresa que toma uma multa, o funcionário é indenizado e o chefe é demitido.
Cenário 8:
Assédio:
Ano 1971: A colega gostosona recebe uma cantada de Ricardo. Ela reclama, faz charminho, mas fica envaidecida, saem para jantar, namoram e se casam.
Ano 2011: Ricardo admira as pernas da colega gostosona quando ela nem está olhando, ela o processa por assédio sexual. Ele é condenado a prestar serviços comunitários. Ela recebe indenização, terapia e proteção paga pelo estado.
Pergunta-se:
EM QUE MOMENTO FOI, ENTRE 1971 E 2011, QUE NOS TRANSFORMAMOS NESSES VERDADEIROS IMBECIS?
Fonte: internet
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Resistência ao elogio
Generosidade não é oferecer presentes, mas saber recebê-los.
Quando alguém nos dá algo que a gente queria muito, sabe o que falamos?
— Não precisava.
Por que mentimos?
Deveríamos dizer:
— Precisava sim, estava esperando tanto.
Isso demonstra uma dificuldade geral para ganhar elogios. Uma incompetência para ser feliz direto, de primeira, sem coitadismo, sempre temos que fazer charme e beiço e fingir que somos desimportantes.
Não acreditamos no elogio. Pensamos que é interesse, oportunismo, falsidade, exagero.
Se uma estranha recebe meu elogio, já julga que é cantada.
Se a namorada recebe meu elogio, já julga que quero sexo.
Se o filho me elogia de repente, eu já julgo que é pedido de dinheiro.
Mania de menosprezar o amor simplesmente porque não nos sentimos merecedores do amor.
As mulheres são as rainhas da culpa. Quer ver?
Encontro uma amiga no elevador e comento despretensiosamente:
— Que camisa linda!
Em vez de agradecer, ela vai se desculpar:
— Comprei barato numa liquidação.
Repare, eu não perguntei nada. Mas ela continua se justificando:
— Foi na loja Antonia Guedes, ali no Moinhos de Vento.
Ela é capaz de me dar o endereço, informar o nome da vendedora, o preço, tudo para não se sentir linda.
Por isso, hoje aceite o elogio com sinceridade. E diga apenas: obrigado, obrigado, obrigado!
Fabricio Carpinejar
domingo, 25 de novembro de 2012
Atendimento
- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um paciente. Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou....
- Qual e o nome do paciente?
- Chama-se César e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a ligação para o setor de enfermagem...
- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes. O que deseja?
- Gostaria de saber as condições clínicas do paciente César do quarto 302, por favor!
- Um minuto, vou localizar o médico de plantão.
- Aqui é o Dr. Anderson Chaves plantonista. Em que posso ajudar?
- Olá, doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre a saúde do César que está internado há três semanas no quarto 302.
- Ok, meu senhor, vou consultar o prontuário do paciente... Um instante só!
Hummm! Aqui está: ele se alimentou bem hoje, a pressão arterial e pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado do monitor cardíaco até amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará alta em três dias.
- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!?
- Não, sou o próprio César telefonando aqui do 302!
É que todo mundo entra e sai desta merda deste quarto e ninguém me diz porra nenhuma.
Eu só queria saber como estou.....
Autor desconhecido
- Qual e o nome do paciente?
- Chama-se César e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a ligação para o setor de enfermagem...
- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes. O que deseja?
- Gostaria de saber as condições clínicas do paciente César do quarto 302, por favor!
- Um minuto, vou localizar o médico de plantão.
- Aqui é o Dr. Anderson Chaves plantonista. Em que posso ajudar?
- Olá, doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre a saúde do César que está internado há três semanas no quarto 302.
- Ok, meu senhor, vou consultar o prontuário do paciente... Um instante só!
Hummm! Aqui está: ele se alimentou bem hoje, a pressão arterial e pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado do monitor cardíaco até amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará alta em três dias.
- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!?
- Não, sou o próprio César telefonando aqui do 302!
É que todo mundo entra e sai desta merda deste quarto e ninguém me diz porra nenhuma.
Eu só queria saber como estou.....
Autor desconhecido
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Havia um vestiário entre nós
Venho por meio desta agradecer as inúmeras manifestações de solidariedade pelo meu desespero em correr na esteira. Nunca pensei que pudesse ser tão compreendida. O desespero? Piorou. Porque agora eu corro lembrando que todo mês, pelos próximos 10 meses, meu cartão de crédito está comprometido com as 10 suaves prestações que resolvi fazer para ter uma esteira em casa.
Solidários ao meu desespero, alguns amigos, incluindo meus familiares mais chegados (reparem que apenas homens), sugeriram que eu deveria alternar a corrida com a natação. "A natação é um esporte completo, não tem impacto, trabalha todos os músculos do corpo e a gente sai da água se sentindo em outra dimensão".
Comprei maiô, touca e óculos e fingi que não vi a desgraceira no espelho. Devia ser proibido uma mulher ser obrigada a colocar maiô, touca de látex e óculos e ainda topar com um espelho pela frente.
Eu confesso que não sou lá muito chegada a piscina, tanque, banheira, jacuzzi, essas coisas de água meio parada. Sobretudo quando tem muita gente dentro. Mas se nadar seria o caminho para conhecer a outra dimensão, denegri minha própria imagem com maiô, touca e óculos, sublimei que havia mais de 10 pessoas batendo pé dentro d'água e me atirei na piscina. Foram 50 minutos - e confesso que saí de lá realmente me sentindo em outra dimensão. Só que entre eu e a piscina havia um vestiário.
Imediatamente lembrei do porquê eu havia deletado a natação da minha vida. Me diga se pode existir viagem para outra dimensão que dure mais tempo do que o caminho de volta ao vestiário. Me diga se pode existir desgraceira maior do que chegar ao vestiário molhada, em cima de um par de chinelos molhados, com o cabelo todo desgrenhado, com o rosto todo marcado do óculos e ainda ter que abrir a mochila, procurar os saquinhos plásticos para ensacar o maiô molhado, a touca e o óculos, pegar a nécessaire, levar o xampú, o sabonete e o condicionador para dentro do box do chuveiro, sempre pisando naquele chinelo nojento e molhado, tomar banho com alguns fios de cabelos que restaram do banho anterior, recolher sabonete, xampú e condicionador, secar um por um na toalha, se enrolar na mesma toalha, voltar pingando até o armário em cima daquele chinelo nojento e molhado, abrir a mochila, guardar a nécessaire, pegar o pente, cuidar para não cair cabelo no chão, passar hidratante na volta dos olhos, no rosto, no corpo, vestir a roupa que amassou dentro do armário, sentar no banco com o pé ainda molhado em cima daquele chinelo nojento, secar o pé, colocar o sapato, secar o chinelo, ensacar o chinelo e terminar a maratona suando, porque todos o bafo de todos os banhos quentes do vestiário se misturam ao barulho de todos os secadores quentes ligados no vestiário.
ME DIZ SE TEM ALGUMA SENSAÇÃO DE PLENITUDE NISSO?!
Mariana Kalil
Veja aqui o post na íntegra, com imagens sensacionais.
Solidários ao meu desespero, alguns amigos, incluindo meus familiares mais chegados (reparem que apenas homens), sugeriram que eu deveria alternar a corrida com a natação. "A natação é um esporte completo, não tem impacto, trabalha todos os músculos do corpo e a gente sai da água se sentindo em outra dimensão".
Comprei maiô, touca e óculos e fingi que não vi a desgraceira no espelho. Devia ser proibido uma mulher ser obrigada a colocar maiô, touca de látex e óculos e ainda topar com um espelho pela frente.
Eu confesso que não sou lá muito chegada a piscina, tanque, banheira, jacuzzi, essas coisas de água meio parada. Sobretudo quando tem muita gente dentro. Mas se nadar seria o caminho para conhecer a outra dimensão, denegri minha própria imagem com maiô, touca e óculos, sublimei que havia mais de 10 pessoas batendo pé dentro d'água e me atirei na piscina. Foram 50 minutos - e confesso que saí de lá realmente me sentindo em outra dimensão. Só que entre eu e a piscina havia um vestiário.
Imediatamente lembrei do porquê eu havia deletado a natação da minha vida. Me diga se pode existir viagem para outra dimensão que dure mais tempo do que o caminho de volta ao vestiário. Me diga se pode existir desgraceira maior do que chegar ao vestiário molhada, em cima de um par de chinelos molhados, com o cabelo todo desgrenhado, com o rosto todo marcado do óculos e ainda ter que abrir a mochila, procurar os saquinhos plásticos para ensacar o maiô molhado, a touca e o óculos, pegar a nécessaire, levar o xampú, o sabonete e o condicionador para dentro do box do chuveiro, sempre pisando naquele chinelo nojento e molhado, tomar banho com alguns fios de cabelos que restaram do banho anterior, recolher sabonete, xampú e condicionador, secar um por um na toalha, se enrolar na mesma toalha, voltar pingando até o armário em cima daquele chinelo nojento e molhado, abrir a mochila, guardar a nécessaire, pegar o pente, cuidar para não cair cabelo no chão, passar hidratante na volta dos olhos, no rosto, no corpo, vestir a roupa que amassou dentro do armário, sentar no banco com o pé ainda molhado em cima daquele chinelo nojento, secar o pé, colocar o sapato, secar o chinelo, ensacar o chinelo e terminar a maratona suando, porque todos o bafo de todos os banhos quentes do vestiário se misturam ao barulho de todos os secadores quentes ligados no vestiário.
ME DIZ SE TEM ALGUMA SENSAÇÃO DE PLENITUDE NISSO?!
Mariana Kalil
Veja aqui o post na íntegra, com imagens sensacionais.
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